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quarta-feira, 17 de abril de 2013

Inspirada em um projeto fotográfico - Mais uma história de amor


Oi meus amores, tudo bem?

Recentemente conheci o trabalho da fotografa Julien Mauve, um de seus projetos é o Hopeless Romantic, nele ela clicou as fases que teoricamente todos os casais passam. Achei o trabalho dela incrível e fiquei com muita vontade de escrever uma história baseada nessas fotografias. Daí surgiu a ideia, criar um conto baseado nas fotos. Será que consigo?

A ideia é que o post seja semanal, todas as quartas de preferência. Vamos lá?




Mais uma história de amor

Cap. 1 - A biblioteca grande e empoeirada.

Era só mais uma manhã fresca e eu como de costume tinha uma lista imensa de coisas para fazer. Entregar a correspondência do vizinho que por engano alguém deixou na minha porta, comprar pão e leite, levar as roupas para a lavanderia e ir para a biblioteca.

Eu poderia estudar no meu quarto, mas nunca gostei, desde que entrei na NYU aquela biblioteca tinha se tornado meu segundo lar. Apensar do barulho promovido por um ou outro engraçadinho, era lá onde eu realmente conseguia me concentrar e focar nos infindáveis livros solicitados pelo Sr. Martin - meu professor de artes.

- Bom dia Kristin! 
- Bom dia Dominick - Respondeu a simpática bibliotecária. - Aceita bolinhos?
Kristin! Você sabe que não é permitido lanche por aqui - Sorriu.
- Shhhhh! É um segredo só nosso. - Disse Kristin escondendo os bolinhos em baixo de sua mesa.
- Você não tem jeito mesmo.

Claro que ela não passaria por cima das regras centenárias da biblioteca na frente de qualquer um, mas Dominick era "de casa" então estava tudo certo.

As mesas grandes e imponentes, de madeira maciça, brilhavam sem ao menos dar sinais que estavam ali a mais de 100 anos. Eram milhares de livros – muitos bem empoeirados por sinal – a disposição. Tudo aquilo acolhia Dominick de uma forma singular. E era lá que ela ficava praticamente todos os dias.

Após consultar inúmeros livros ela resolveu acompanhar Kristin em sua pausa para o lanche, embora ela já tivesse lanchado durante todo o dia. Foram 15 minutos de conversa, era só para “esticar as pernas” mesmo. De volta a sua mesa Dominick percebeu eu embora houvesse dezenas de mesas vazias havia um rapaz sentado perto do lugar onde ela estava. Não que ela fosse antissocial ou algo do tipo, se ele ficasse em silêncio não haveria problema algum.

Porém, o que Dominick percebeu só alguns minutos depois, foi que o que lhe tiraria a atenção de seus livros não seria algum barulho feito pelo rapaz que acabara de se sentar e sim seus olhos castanhos, sua barba por fazer e o perfume que emanava pelo ar. 


Continua...

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Passado e presente


Finalmente nossa música tocou, e como nos meus sonhos você me chamou pra dançar. Ao nosso redor dezenas de casais dançavam de rostos colados. As meninas em sua maioria sorriam com aquele ar de "passei a semana toda me preparando para esse momento e agora ele é real" e uma ou outra mantinha aquele olhar que dizia " você não merece nem os sapatos que estou calçando essa noite, mas seria mais humilhante ficar sozinha ao redor do salão como aquelas garotas feias que ninguém chama pra dançar".
Nesse exato momento demos nosso primeiro beijo, no churrasco da Lekinha o segundo e pra ser sincera o terceiro eu não me lembro. Foram tantos beijos, tantos planos. Naquela época em que o Ensino Médio para nós era o suprassumo da liberdade. Estudar em outra cidade, ir de ônibus todos os dias e pegar um cinema na sexta depois da aula.
Confesso que um dos momentos mais tristes foi quando minha família se mudou e eu te vi pela última vez, pelo vidro do carro sem ao menos me despedir. Na cidade nova o hipster eram as matinês e logo as meninas do colégio novo me apresentaram a elas. E aos Caios, Brenos e Felipes da vida. Eu curti, é isso que os 16 anos pedem não é? Tomei meu primeiro porre, fui a festas de mini-saia, dei o número errado aos caras feios. Aprendi que os bonitos nunca ligam e então acabei dando o número certo apenas para os normais engraçados.
Dois anos depois parei tudo e foquei no vestibular. Sabia que eu fiquei entre os 10 primeiros da USP?
Depois disso já sabe né, vida de adulto. Me mudei de novo, dessa vez sozinha para São Paulo e a Paulista passou a ser o plano de fundo da minha vida corrida. Quem diria que eu iria te reencontrar num congresso de saúde? Acho que alguém não cumpriu sua promessa de que não iria fazer medicina só porque o pai queria.
Só faz um mês que voltamos mas eu já vejo que foi um erro. Nós não temos mais nada a ver.  O que passou passou. Muitas pessoas sofrem por querer trazer para o presente o que devia ficar apenas no passado e eu não sou dessas.
Estou aqui no famoso bar da sexta mesmo sendo só terça-feira e pedi um conhaque, mais para parecer com a Mônica - é, aquela do Eduardo - do que porque gosto, prefiro whisky. Você está vindo apressado, pensando que eu vou te levar pro meu apartamento. Mas não, acaba hoje, aqui.
Agora eu sou grande demais para me prender a alguém.
De repente a porta do bar se abriu, era você chegando. Eu acenei e falei. - Aqui! Na mesa do canto.

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