quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Passado e presente


Finalmente nossa música tocou, e como nos meus sonhos você me chamou pra dançar. Ao nosso redor dezenas de casais dançavam de rostos colados. As meninas em sua maioria sorriam com aquele ar de "passei a semana toda me preparando para esse momento e agora ele é real" e uma ou outra mantinha aquele olhar que dizia " você não merece nem os sapatos que estou calçando essa noite, mas seria mais humilhante ficar sozinha ao redor do salão como aquelas garotas feias que ninguém chama pra dançar".
Nesse exato momento demos nosso primeiro beijo, no churrasco da Lekinha o segundo e pra ser sincera o terceiro eu não me lembro. Foram tantos beijos, tantos planos. Naquela época em que o Ensino Médio para nós era o suprassumo da liberdade. Estudar em outra cidade, ir de ônibus todos os dias e pegar um cinema na sexta depois da aula.
Confesso que um dos momentos mais tristes foi quando minha família se mudou e eu te vi pela última vez, pelo vidro do carro sem ao menos me despedir. Na cidade nova o hipster eram as matinês e logo as meninas do colégio novo me apresentaram a elas. E aos Caios, Brenos e Felipes da vida. Eu curti, é isso que os 16 anos pedem não é? Tomei meu primeiro porre, fui a festas de mini-saia, dei o número errado aos caras feios. Aprendi que os bonitos nunca ligam e então acabei dando o número certo apenas para os normais engraçados.
Dois anos depois parei tudo e foquei no vestibular. Sabia que eu fiquei entre os 10 primeiros da USP?
Depois disso já sabe né, vida de adulto. Me mudei de novo, dessa vez sozinha para São Paulo e a Paulista passou a ser o plano de fundo da minha vida corrida. Quem diria que eu iria te reencontrar num congresso de saúde? Acho que alguém não cumpriu sua promessa de que não iria fazer medicina só porque o pai queria.
Só faz um mês que voltamos mas eu já vejo que foi um erro. Nós não temos mais nada a ver.  O que passou passou. Muitas pessoas sofrem por querer trazer para o presente o que devia ficar apenas no passado e eu não sou dessas.
Estou aqui no famoso bar da sexta mesmo sendo só terça-feira e pedi um conhaque, mais para parecer com a Mônica - é, aquela do Eduardo - do que porque gosto, prefiro whisky. Você está vindo apressado, pensando que eu vou te levar pro meu apartamento. Mas não, acaba hoje, aqui.
Agora eu sou grande demais para me prender a alguém.
De repente a porta do bar se abriu, era você chegando. Eu acenei e falei. - Aqui! Na mesa do canto.

2 comentários:

Unknown disse...

Muito massa isso tudo e bem semelhante a sua tragetoria de vida ,neh amiga ,bom Naum tudo que está escrito mas boa parte sim.adorei esse poste de sua amiga Camilla.

Fútil? Claro que não! disse...

Uma coisa ou outra mas a maioria não. Que bom que você gostou amiga. Beijos

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